sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

O lugar dos pobres no Natal

Esta é uma altura do ano em que os pobres são mais lembrados. Pobres, que são cada vez mais em Portugal e no Mundo.

Vivemos num mundo profundamente injusto em que a pobreza e as desigualdades sociais crescem a olhos vistos, fruto da sociedade do lucro e do dinheiro em que vivemos.

O fosso entre ricos e pobres não pára de aumentar, estando a riqueza cada vez mais concentrada nas mãos de cada vez menos pessoas.

A cada dia que passa morrem 50.000 pessoas em todo o mundo, de pobreza extrema.

Para além dos pobres que facilmente identificamos como tal, encontramos hoje novos pobres. Aqueles que não ganham o suficiente para pagar as contas, que contraíram empréstimos que já não conseguem pagar, porque perderam o emprego ou porque o custo de vida está cada vez mais elevado.


Estamos a chegar ao Natal. O movimento das ruas aumentou. As lojas enchem-se de pessoas que entram, fazem as suas compras e sorriem, dando a ideia de que está tudo muito bem… quando não me parece que esteja.

Não me parece que esteja, porque muitas pessoas correm o risco de passar um Natal muito triste. Um Natal pobre e sem alegria, enquanto outros têm um Natal de luxo com mesas recheadas e prendas caríssimas.

E depois há os que não são ricos, mas que se comportam como se o fossem, como que envergonhados de o não serem, ou tentando aparentar o que já não são!

Muita gente anda a gastar o que tem e o que não tem para fazer boa figura.

O Natal passou a ser consumo, constrangimento, angústia, frustração.
De um lado o inútil e o supérfluo; do outro a fome, a miséria. Uns podres de ricos, outros a morrerem à fome.


É tempo de olharmos para dentro de nós.

Não podemos ficar indiferentes ou ignorar esta pobreza que parece irreversível e que se alastra a olhos vistos.

Há que falar e alertar para uma moral social.

É tempo de falar na fome em África, nos campos de refugiados em Darfur… na América Latina, nos países pobres do Oriente… mas também em muita gente pobre neste país. Uns porque não sabem gerir as suas vidas, outros porque ganham menos do que aquilo que necessitam.

E agora a nova pobreza que afecta principalmente a classe média. Os que possuem pequenos negócios ou que trabalham por conta de outrem, e se afogam em dívidas para manter sonhos e minimizar frustrações.

São estes que têm vindo a pagar a factura de sucessivas políticas erradas, e que por isso se vêem agora atolados numa pobreza para a qual não vislumbram saída, até serem encontradas alternativas políticas.

Encontramos hoje muita miséria disfarçada e envergonhada.


Lembramo-nos da pobreza na quadra natalícia...
mas ela existe todos os dias do ano!

Por tudo isto, qual será o lugar que têm os pobres neste Natal?