domingo, 31 de maio de 2009

O rico que não gostava de pobres

Havia um homem rico que tinha lido nas sagradas escrituras que a riqueza era um dom de Deus; e lera também, numa outra passagem, que para além de um dom de Deus, a riqueza era o prémio que Deus concedia àqueles que lutavam por ela.

O homem rico sabia que estava com Deus; a prova era a sua riqueza!
Mas todos os dias, ao fazer o exame de consciência, descobria que aqui e ali tinha perdido oportunidade de a aumentar ainda mais; e penitenciava-se: pedia sentidamente perdão a Deus por não ter aproveitado quanto podia os dons que o Altíssimo lhe podia dar! E todos os dias fazia como propósito para o dia seguinte, aumentar o seu tesouro!

O homem rico, naturalmente, não gostava de pobres. a razão era simples: se eram pobres, é porque não aproveitavam os dons de Deus.
E todos os dias o homem rico, cumprindo os seus propósitos de consciência(!), pagando pouco aqui, exigindo mais além, negociando habilmente direitos e deveres,
... deixava os pobres um pouco mais pobres.

O homem rico não gostava de pobres; mas usava-os para aumentar a sua riqueza e a boa consciência diante de Deus!

Claro que o homem rico nunca lia o resto das palavras sagradas do mesmo santo Livro, onde também se dizia que a riqueza era um dom de Deus para todos os homens, e que só era verdadeiramente rico quem a partilhava.

Ou talvez as lesse;
... mas com os olhos, coração e ouvidos fechados...

...não fosse entendê-las e converter-se...

(In: Vinho Novo em Odres Novos, Temas de Reflexão, Cáritas Diocesana de Coimbra)

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Crise? Qual Crise?!

Grande crescimento:

"As instituições financeiras emprestaram mais às famílias e às empresas em Março do que nos meses anteriores.

Em Março, os bancos financiaram 747 milhões de euros para novos créditos à habitação.

Estes emprestaram 313 milhões de euros para compra de bens de consumo, como computadores e móveis, e 4,2 mil milhões de euros às empresas." (Fonte: Jornal de Negócios)


Mais crescimento:

"Apesar de os bancos terem emprestado mais dinheiro em Março, atingindo valores recorde, o crédito malparado disparou para os máximos mais elevados desde 1999, mostrando que há cada vez mais portugueses e empresas a não conseguirem pagar aos bancos." (Fonte: Público)

"De acordo com os dados que constam do Boletim Estatístico do Banco de Portugal, o malparado aumentou em todos os destinos de financiamento, desde a habitação ao consumo e aos outros fins." (Fonte: IOL Diário)

Ainda mais crescimento:

"Os despedimentos cresceram 69% - em Janeiro e Fevereiro, 31 mil pessoas foram despedidas em processos unilaterais ou por mútuo acordo.

Os despedimentos estão a ganhar terreno, mas o fim do trabalho não permanente continua a ser a principal causa de desemprego." (Fonte: DN)

"O número de desempregados em Abril inscritos nos Centros de Emprego em Portugal aumentou 27,3 por cento comparativamente ao mesmo mês do ano passado.

Esta escalada do desemprego iniciou-se em Outubro do ano passado e os dados divulgados mostram o acréscimo mais elevado desde Julho de 2003." (Fonte: Notícias RTP)

"O desemprego em Portugal está a aumentar de uma forma tão galopante, que o deputado comunista Honório Novo teme o surgimento de convulsões sociais: «Posso acusar um pai ou uma mãe que se revolte e se indigne e tome atitudes porventura ilegais porque tem de dar de comer à família?»" (Fonte: IOL Diário)

"A aceleração do desemprego registado está a verificar-se em todos os sectores de actividade e a abranger já os trabalhadores com vínculos permanentes.

Os desempregados inscritos em Março mostram a maior subida em 30 anos, o que indicia um aprofundamento da crise, em que o próprio Estado parece já não ser capaz de atenuar a tendência geral." (Fonte: Público)


… Mas… dizem que há Crise!!... Onde?!

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Dia do sem-trabalho

O povo saiu à rua num dia assim...



Pobreza e Exclusão Social

A pobreza e a exclusão social, não sendo a mesma coisa, têm entre si uma relação de complementaridade: a pobreza representa uma das formas ou dimensões da exclusão social, pois é impeditiva da plena participação na vida económica, social e civil.

Sendo a exclusão social um processo que marginaliza indivíduos e grupos sociais no exercício da cidadania, ela dá-se através de rupturas consecutivas com a sociedade nas relações afectivas, familiares, de amizade e com mercado de trabalho. É um fenómeno multidimensional, que se apresenta como uma conjugação de factores sociais, económicos e políticos.

Na exclusão social verifica-se uma acentuada privação de recursos materiais e sociais que impedem de participar plenamente na vida económica, social e civil e ou não permitem usufruir de um nível de vida considerado aceitável pela sociedade em que se vive.

Ora, acho que um dos maiores causadores destas rupturas do indivíduo com a sociedade é o desemprego e o emprego precário, na medida em que os baixos rendimentos ou a sua ausência levam à pobreza, sendo esta uma das dimensões mais visíveis da exclusão social.

Estamos a passar por um período de crise em que o desemprego é, de dia para dia, cada vez mais uma constante. O trabalho exerce um papel integrador, um dos vínculos mais importantes à sociedade, nos relacionamentos que gera e no rendimento que proporciona.

O povo está a ficar cada vez mais marginalizado, mais impedido de exercer o seu direito à cidadania pois, devido ao desemprego e ao emprego precário (recibos verdes) vê-se diminuído económica e socialmente, o que lhe provoca uma má qualidade de vida, que conduz à exclusão social, pela agudização das desigualdades, pelo impedimento do gozo de direitos que um emprego "normal" lhe proporciona e que de outro modo não tem.

Que o povo saia à rua!