
Quando falamos em Exclusão Social facilmente a ligamos a um processo que coloca indivíduos e ou grupos sociais à margem da sociedade. Mas este conceito é complexo, multidimensional, ousado e polémico.
A exclusão social configura-se como um fenómeno multidimensional, na medida em que não é produto de um só factor, mas coexistem, dentro da exclusão, fenómenos sociais diferenciados, tais como o desemprego, a marginalidade, a discriminação, a pobreza, o estigma…
A pobreza será, porventura, a forma mais visível de exclusão, na medida em que, por falta de recursos, o pobre é excluído de sistemas sociais básicos nos domínios do social, económico, institucional e territorial, e às referências simbólicas. Mas a exclusão social abrange formas de privação não material, encontrando-se muito para além da falta de recursos económicos.
A Exclusão Social é, essencialmente, uma situação de falta de acesso às oportunidades oferecidas pela sociedade aos seus membros. Dá-se através de rupturas consecutivas com a sociedade nas relações afectivas, familiares, de amizade e com o mercado de trabalho. Pode implicar acentuada privação de recursos materiais e sociais que levam à ausência de cidadania, impedindo a participação plena na sociedade, aos seus diferentes níveis – ambiental, cultural, económico, político e social; ou pode não permitir usufruir de um nível de vida tido por aceitável pela sociedade em que se vive.
A exclusão social contemporânea apresenta-se diferente das formas anteriormente existentes de descriminação ou mesmo de segregação, ao parecer criar indivíduos desnecessários ao mundo laboral, em face das poucas perspectivas de diminuição do desemprego, sugerindo não haver possibilidade de inserção. A vida nas sociedades capitalistas vem-se organizando segundo modelos altamente competitivos que excluem os menos capazes devido à idade, à instrução, à etnia, ao sexo ou à saúde. Também, a organização e o funcionamento dos sistemas e instituições parecem alhear-se da realidade, faltando-lhes equidade na oferta de oportunidades para todos.
A Exclusão Social é, assim, um facto e um fenómeno social, com expressão crescente na nossa sociedade actual, como forte referência de grandes transformações sociais decorrentes do processo de globalização, o qual desenvolve a exclusão social ao acentuar desigualdades e concorrer para maior instabilidade das relações familiares, sociais e laborais; alteração de valores fundamentais; vulgarização de comportamentos de risco; materialismo consumista; imigração, entre outros, limitando o acesso a direitos sociais e civis e acabando por isolar socialmente grande número de indivíduos e grupos.
Não é, portanto, um fenómeno redutível à ausência de rendimento. No entanto, encontra neste factor, hoje em dia, uma grande expressão, no que se traduz numa pobreza envergonhada, em que as pessoas, para não se sentirem excluídas, optam por cortar nos bens de primeira necessidade, começando pela alimentação, canalizando os insuficientes rendimentos, por exemplo para o pagamento do carro e da casa, a fim de manterem as aparências.