terça-feira, 26 de julho de 2011

A Fome é Oficial


Até quando, para se calar a fome, esta tem de ser declarada oficial?

Há dois anos que a seca dizima a região do Corno de África.
"A FAO diz que a fome atinge mais de 30 por cento das crianças e cerca de 750.000 pessoas já fugiram da Somália."


segunda-feira, 11 de julho de 2011

De boas intenções...


Quando quem faz as leis só vê o mundo através da janela do gabinete...
E o mundo lá fora é tão grande e vasto!!!


"Senhor ministro, queria pedir-lhe uma grande ajuda: veja lá se deixa de me ajudar. Não me conhece, mas tenho 72 anos, fui pobre e trabalhei toda a vida. Vivia até há uns meses num lar com a minha magra reforma. Tudo ia quase bem, até o senhor me querer ajudar.

Há dois anos vierem uns inspectores ao lar. Disseram que eram de uma coisa chamada Azai. Não sei o que seja. O que sei é que destruíram a marmelada oferecida pelos vizinhos e levaram frangos e doces dados como esmola. Até os pastelinhos da senhora Francisca, de que eu gostava tanto, foram deitados fora. Falei com um deles, e ele disse-me que tudo era para nosso bem, porque aqueles produtos, que não estavam devidamente embalados, etiquetados e refrigerados, podiam criar graves problemas sanitários e alimentares. Não percebi nada e perguntei-lhe se achava bem roubar a comida dos pobres. Ele ficou calado e acabou por dizer que seguia ordens. Fiquei então a saber que a culpa era sua e decidi escrever-lhe. Nessa noite todos nós ali passámos fome, felizmente sem problemas sanitários e alimentares graves.

Ah! É verdade. Os tais fiscais exigiram obras caras na cozinha e noutros locais. O senhor director falou em fechar tudo e pôr-nos na rua, mas lá conseguiu uns dinheiritos e tudo voltou ao normal. Como os inspectores não regressaram e os vizinhos continuaram a dar-nos marmelada, frangos e até, de vez em quando, os belos pastéis da tia Francisca, esqueci-me de lhe escrever. Até há seis meses, quando destruíram tudo.

Estes não eram da Azai. Como lhe queria escrever, procurei saber tudo certinho. Disseram-me que vinham do Instituto da Segurança Social. Descobriram que estava tudo mal no lar. O gabinete da direcção tinha menos de 12 m2 e na instalação sanitária do refeitório faltava a bancada com dois lavatórios apoiados sobre poleias e sanita com apoios laterais. Os homens andaram com fitas métricas em todas as janelas e portas e abanaram a cabeça muitas vezes. Havia também um problema qualquer com o sabonete, que devia ser líquido.

Enfureceram-se por existirem quartos com três camas, várias casas de banho sem bidé e na área destinada ao duche de pavimento (ligeiramente inferior a 1,5 m x 1,5 m) não estivesse um sistema que permita tanto o posicionamento como o rebatimento de banco para banho de ajuda (uma coisa que nem sei o que seja). Em resumo, o lar era uma desgraça e tinha de fechar.

Ultimamente pensei pedir aos senhores fiscais para virem à barraca onde vivo desde então, medir as janelas e ver as instalações sanitárias (que não há!). Mas tenho medo que ma fechem, e então é que fico mesmo a dormir na rua.

Mas há esperança. Fui ontem, depois da missa, visitar o lar novo que o senhor prior aqui da freguesia está a inaugurar, e onde talvez tenha lugar. Fiquei espantado com as instalações. Não sei o que é um hotel de luxo, porque nunca vi nenhum, mas é assim que o imagino. Perguntei ao padre por que razão era tudo tão grande e tão caro.

Afinal, se fosse um bocadinho mais apertado, podia ajudar mais gente. Ele respondeu que tinha apenas cumprido as exigências da lei (mais uma vez tem a ver consigo, senhor ministro). Aliás o prior confessou que não tinha conseguido fazer mesmo tudo, porque não havia dinheiro, e contava com a distracção ou benevolência dos inspectores para lhe aprovarem o lar. Se não, lá ficamos nós mais uns tempos nas barracas.

Senhor ministro, acredito que tenha excelentes intenções e faça isto por bem. Como não sabe o que é a pobreza, julga que as exigências melhoram as coisas. Mas a única coisa que estas leis e fiscalizações conseguem é criar desigualdades dentro da miséria. Porque não se preocupam com as casas dos pobres, só com as que ajudam os pobres."

quarta-feira, 1 de junho de 2011

40% de pobreza infantil em Portugal

Hoje, em Portugal, o Dia Mundial da Criança fica marcado por um estudo do ISEG, sobre a situação de pobreza em que vivem duas em cada cinco crianças portuguesas.

O estudo retrata a pobreza a dois níveis:
da falta de dinheiro;
e da privação de condições de vida.


Muito pobre é o país que deixa chegar as suas crianças a este ponto.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

As Instituições de Solidariedade e o Combate à Pobreza e à Exclusão Social

As Instituições de Solidariedade – ou Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS) - são instrumentos qualificados, de iniciativa das pessoas e dos grupos de pessoas, e também de iniciativa da Igreja Católica e de outras Igrejas, muitas de inspiração cristã, de prossecução de fins comunitários. Em algumas circunstâncias são expressão da caridade, mas sendo sempre expressão de solidariedade e de exercício da cidadania. Têm as mais diversas designações: associações de protecção ou de solidariedade, centros (de bem-estar, sociais, sociais culturais ou sociais paroquiais), cruzadas, fundações, infantários, institutos, misericórdias, movimentos de apoio, obras, veneráveis ordens...

Centram a sua actividade diária na garantia de Direitos Fundamentais, na igualdade de oportunidades, sobretudo dos mais vulneráveis e desfavorecidos, a fim de promover comunidades mais inclusivas.

As Instituições de Solidariedade detêm um papel insubstituível e fundamental no trabalho social nas comunidades, no apoio às famílias e aos indivíduos, e de indubitável importância no combate à pobreza e à exclusão social, pela gestão de equipamentos sociais nas áreas da infância e juventude, pessoas portadoras de deficiência e população idosa. Através das respostas sociais que desenvolvem, respondem a situações de pobreza e exclusão, com espírito solidário e humanista, colocando os seus recursos ao serviço daqueles que mais necessitam de apoio, alimentos, companhia, oportunidades, sentido para a vida. Promovem os direitos, a qualidade de vida, a inclusão e a cidadania de indivíduos e famílias em situação de vulnerabilidade social e/ou económica, ao intervir local e regionalmente. São estas entidades que estão no terreno, próximo das pessoas, a intervir localmente, as responsáveis pela maioria da acção social que se faz no país, e cuja missão primordial é a valorização da pessoa humana e o respeito pela sua dignidade.

As IPSS, porque têm em vista o exercício da acção social, a prevenção de situações de carência, exclusão social ou qualquer tipo de marginalização, e porque promovem a integração comunitária e desenvolvem actividades de apoio à família, juventude, terceira idade, deficientes e a toda a população necessitada, tornam-se ainda mais importantes num período de crise, como o que atravessamos, pois delas se espera ainda mais capacidade de resposta e soluções para os novos casos que todos os dias surgem.

Assim, estas instituições têm a importante função de contribuir para promover a coesão social, para enfrentar a pobreza e a exclusão social, para atender e colaborar na resolução de problemáticas emergentes da actual conjuntura de crise.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

25 d'Abril???

Pois eu não festejo algo incompleto!

Em terra onde falta o pão, a todos falha a razão.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Colapso Económico, Fome e Miséria Programados e Iminentes

Como os banqueiros e os globalistas controlam a implosão da economia mundial rumo à escravização global.

terça-feira, 1 de março de 2011

Vulneráveis à Exclusão

Entre as categorias mais vulneráveis à exclusão social encontram-se as pessoas com deficiência; doentes; imigrantes; grupos desqualificados; desempregados de longa duração; trabalhadores com qualificações baixas ou obsoletas; idosos; famílias monoparentais; grupos à margem; pessoas sem-abrigo; toxicodependentes e ex-toxicodependentes; jovens em risco; reclusos e ex-reclusos…
Factores como a pobreza, o desemprego ou emprego precário, as minorias étnicas e/ou culturais, os sem-abrigo e os idosos podem originar grupos socialmente excluídos, mas não é obrigatório que o sejam.

No entanto, nos últimos tempos, tem sido alvo de notícias o abandono de idosos, que acabam por morrer sozinhos em casa, bem como a sua privação de cuidados de saúde, ficando isso a dever-se, em grande parte, às baixas reformas que não lhes permitem fazer face a todas as suas necessidades; também se ouve falar de pessoas que retiram os seus familiares idosos de lares, com vista, ao que tudo parece indicar, a ficar-lhes com as reformas, face à grave crise económica que se atravessa, mas deixando-os, muitas vezes, desprovidos de cuidados essenciais, tais como a compra de medicamentos; cada vez mais nos surgem, também, notícias de crianças negligenciadas, a passar fome, e em risco; e ainda, o tráfico de seres humanos, sobretudo mulheres e crianças, continua a ser uma realidade dos nossos dias.

A conjuntura actual parece tendente a agravar o fenómeno da exclusão social e a concorrer para o surgimento de maior vulnerabilidade.

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