quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Para reflexão de início de ano

«Conta-se que, certo dia, houve um incêndio na floresta e que todos os animais se puseram em fuga.

Todos, excepto o beija-flor. Ia e voltava, ia e voltava, trazendo uma gota de água no bico, que deixava cair sobre as labaredas e a terra calcinada. E, quando um dos animais em fuga o interpelou, dizendo ser impossível extinguir o fogo daquele modo, o beija-flor respondeu: 

"Eu sei que não são estas gotas que vão apagar o fogo, mas eu faço a minha parte..."»

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Como se fabrica a miséria



Um documentário que vale a pena ver, para se entender um pouco do que está por detrás do mundo do dinheiro e da pobreza.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Programa Comunitário de Ajuda Alimentar a Carenciados (PCAAC)


A quem se dirige?

Famílias/Pessoas – as mais carenciadas por:

- baixo rendimento do agregado familiar;

- desemprego prolongado;

- situações de prisão, morte, doença, separação e abandono;

- pensionistas do regime não contributivo;

- número de pessoas do agregado familiar;

- situações de catástrofe.

E também Instituições - por utentes mais carenciados. 


Em Setembro último, sete Estados-membros - Áustria, Dinamarca, Holanda, Suécia, Reino Unido, Alemanha e República Checa - constituíram uma minoria de bloqueio à continuação do programa.



Para mais informações pode dirigir-se aos Serviços de Atendimento da Segurança Social da sua área de residência.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

O vírus da anti-solidariedade


"Somos portadores de um vírus altamente perigoso para nós e para a sociedade. É o vírus da anti-solidariedade.

Quem o disse foi o cardeal Tettamanzi – um homem que sabe do que fala, porque foi arcebispo de Milão, uma das maiores dioceses do mundo. Esteve esta semana em Fátima para nos despertar para as coisas essenciais.

O vírus da anti-solidariedade faz com que cada um viva como se estivesse numa ilha deserta, à maneira de Robinson Crusoé. Como se nunca tivesse sido gerado por ninguém e pudesse viver, crescer, aprender, trabalhar, amar e sofrer sem nunca fazer referência a outros.

Aliás, o cardeal Tettamanzi recordou com fina ironia que a aventura de Robinson Crusoé acaba mal, porque quando encontrou um seu semelhante fez dele escravo…

Numa sociedade em que as relações são cada vez mais inconstantes e superficiais, é pois indispensável reconhecer a objectiva interdependência entre cada um de nós e o outro. Sob pena de deixarmos de ser humanos."

Aura Miguel

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Os Tipos de Exclusão Social

Existem diversos tipos de exclusão social.

Alfredo Bruto da Costa* identificou cinco ordens de exclusão social: económica, social, cultural, patológica, e comportamentos auto-destrutivos.

Exclusão Social de ordem económica: este tipo de exclusão social é caracterizado pelas más condições de vida, com baixos níveis de instrução e qualificação profissional, e pelo emprego precário [ou desemprego]. Trata-se da pobreza.

Exclusão Social de ordem social: exclusão ao nível dos laços sociais. Privação de relacionamento, caracterizada pelo isolamento. Pode-se dar como exemplos, os idosos e pessoas com deficiências motoras e/ou psicológicas. Este tipo de exclusão pode ser consequência de modos de vida familiar e nada tem a ver com a pobreza, a menos que esteja também vinculada ao aspecto económico.

Exclusão Social de ordem cultural: este tipo de exclusão está relacionado com factores culturais, em fenómenos como o racismo, a xenofobia, dificuldade de integração social de minorias étnicas.

Exclusão social de ordem patológica: Situações de origem patológica do indivíduo, de natureza psicológica ou mental, podendo, neste caso, ser causa de ruptura familiar. Exemplo: doentes psiquiátricos.

Exclusão Social por comportamentos auto-destrutivos: Está relacionada com os grupos de indivíduos que por uma ou outra razão se colocaram numa situação prejudicial para eles. Comportamentos relacionados com o alcoolismo, a prostituição, a droga, entre outros, o que gera a exclusão desses indivíduos. Geralmente tem origem na pobreza.

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*Alfredo Bruto da Costa é autor de “Exclusões Sociais” e coordenador de “Um Olhar sobre a Pobreza”, e tem larga experiência de estudo e investigação no domínio da pobreza, tema do seu doutoramento na Universidade de Bath (Reino Unido) com tese intitulada "The Paradox of Poverty - Portugal 1980-1989”. Foi Membro do Comité Europeu de Direitos Sociais, do Conselho da Europa.

terça-feira, 26 de julho de 2011

A Fome é Oficial


Até quando, para se calar a fome, esta tem de ser declarada oficial?

Há dois anos que a seca dizima a região do Corno de África.
"A FAO diz que a fome atinge mais de 30 por cento das crianças e cerca de 750.000 pessoas já fugiram da Somália."


segunda-feira, 11 de julho de 2011

De boas intenções...


Quando quem faz as leis só vê o mundo através da janela do gabinete...
E o mundo lá fora é tão grande e vasto!!!


"Senhor ministro, queria pedir-lhe uma grande ajuda: veja lá se deixa de me ajudar. Não me conhece, mas tenho 72 anos, fui pobre e trabalhei toda a vida. Vivia até há uns meses num lar com a minha magra reforma. Tudo ia quase bem, até o senhor me querer ajudar.

Há dois anos vierem uns inspectores ao lar. Disseram que eram de uma coisa chamada Azai. Não sei o que seja. O que sei é que destruíram a marmelada oferecida pelos vizinhos e levaram frangos e doces dados como esmola. Até os pastelinhos da senhora Francisca, de que eu gostava tanto, foram deitados fora. Falei com um deles, e ele disse-me que tudo era para nosso bem, porque aqueles produtos, que não estavam devidamente embalados, etiquetados e refrigerados, podiam criar graves problemas sanitários e alimentares. Não percebi nada e perguntei-lhe se achava bem roubar a comida dos pobres. Ele ficou calado e acabou por dizer que seguia ordens. Fiquei então a saber que a culpa era sua e decidi escrever-lhe. Nessa noite todos nós ali passámos fome, felizmente sem problemas sanitários e alimentares graves.

Ah! É verdade. Os tais fiscais exigiram obras caras na cozinha e noutros locais. O senhor director falou em fechar tudo e pôr-nos na rua, mas lá conseguiu uns dinheiritos e tudo voltou ao normal. Como os inspectores não regressaram e os vizinhos continuaram a dar-nos marmelada, frangos e até, de vez em quando, os belos pastéis da tia Francisca, esqueci-me de lhe escrever. Até há seis meses, quando destruíram tudo.

Estes não eram da Azai. Como lhe queria escrever, procurei saber tudo certinho. Disseram-me que vinham do Instituto da Segurança Social. Descobriram que estava tudo mal no lar. O gabinete da direcção tinha menos de 12 m2 e na instalação sanitária do refeitório faltava a bancada com dois lavatórios apoiados sobre poleias e sanita com apoios laterais. Os homens andaram com fitas métricas em todas as janelas e portas e abanaram a cabeça muitas vezes. Havia também um problema qualquer com o sabonete, que devia ser líquido.

Enfureceram-se por existirem quartos com três camas, várias casas de banho sem bidé e na área destinada ao duche de pavimento (ligeiramente inferior a 1,5 m x 1,5 m) não estivesse um sistema que permita tanto o posicionamento como o rebatimento de banco para banho de ajuda (uma coisa que nem sei o que seja). Em resumo, o lar era uma desgraça e tinha de fechar.

Ultimamente pensei pedir aos senhores fiscais para virem à barraca onde vivo desde então, medir as janelas e ver as instalações sanitárias (que não há!). Mas tenho medo que ma fechem, e então é que fico mesmo a dormir na rua.

Mas há esperança. Fui ontem, depois da missa, visitar o lar novo que o senhor prior aqui da freguesia está a inaugurar, e onde talvez tenha lugar. Fiquei espantado com as instalações. Não sei o que é um hotel de luxo, porque nunca vi nenhum, mas é assim que o imagino. Perguntei ao padre por que razão era tudo tão grande e tão caro.

Afinal, se fosse um bocadinho mais apertado, podia ajudar mais gente. Ele respondeu que tinha apenas cumprido as exigências da lei (mais uma vez tem a ver consigo, senhor ministro). Aliás o prior confessou que não tinha conseguido fazer mesmo tudo, porque não havia dinheiro, e contava com a distracção ou benevolência dos inspectores para lhe aprovarem o lar. Se não, lá ficamos nós mais uns tempos nas barracas.

Senhor ministro, acredito que tenha excelentes intenções e faça isto por bem. Como não sabe o que é a pobreza, julga que as exigências melhoram as coisas. Mas a única coisa que estas leis e fiscalizações conseguem é criar desigualdades dentro da miséria. Porque não se preocupam com as casas dos pobres, só com as que ajudam os pobres."

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