sexta-feira, 2 de maio de 2008

Contra a Fome

"A Organização das Nações Unidas (ONU) defendeu apoios à agricultura nos países pobres e dependentes do exterior, denunciando a especulação em torno dos produtos alimentares, que originou uma crise em mais de 40 nações.

De acordo com o relator da ONU para o Direito à Alimentação, Olivier De Schutter, é «injustificável» a falta de acção da comunidade internacional, que durante anos ignorou os pedidos «de apoio à agricultura nos países em desenvolvimento».

O responsável adiantou que «não se fez nada contra a especulação de matérias-primas», considerando que a actual crise alimentar mundial «demonstra os limites da agricultura industrial».

Conforme adianta a agência Lusa, Olivier De Schutter também criticou o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional por terem incitado «os países mais endividados, em particular na África Subsariana, a desenvolverem cultivos para exportação e a importar os alimentos que consomem».

O relator da ONU frisou que «esta liberalização» tornou esses países «vulneráveis à volatilidade dos preços».

Para representante da ONU, a auto-regulação do mercado «não é solução, mas sim o problema», tendo em conta que o mercado agrícola não é um mercado elástico, já que a quantidade de terras cultiváveis não se pode «ampliar ao infinito».

Olivier De Schutter pediu «uma alteração das regras de propriedade intelectual» de «um pequeno número de empresas», como Monsanto, Dow Chemicals e Mosaic, que controlam as patentes das sementes, pesticidas ou estrume e cujos lucros aumentam.

Relativamente às subvenções à agricultura nos países ricos, Oliver De Schutter qualificou o sistema como «uma vergonha», e, em relação aos biocombustíveis, o responsável sublinhou que é necessário «impor limites»."
O aumento dos preços dos alimentos já se reflectiu no consumo de bens essenciais, como o pão e o leite, e as perspectivas para o futuro continuam a ser de preços altos e respectiva subida pois a conjuntura actual assim o indica. (Ler Aqui )

Bancos Alimentares Contra a Fome - Uma resposta necessária mas provisória porque "toda a pessoa tem direito a um nível de vida suficiente que lhe assegure e à sua família a saúde e o bem-estar, principalmente quanto à alimentação, ao vestuário, ao alojamento, à assistência médica e ainda aos serviços sociais necessários" (Excerto do artigo 25º da Declaração Universal dos Direitos do Homem)

quarta-feira, 30 de abril de 2008

"Crise alimentar" um "tsunami silencioso"



O Programa Alimentar Mundial (PAM) advertiu esta terça-feira para a subida de preços dos produtos alimentares constituem um "tsunami silencioso" que ameaça prolongar a fome de dezenas de milhões de pessoas. [Ler aqui]

O Programa Alimentar Mundial precisa de mais 755 milhões de dólares, além dos mais de três biliões previstos para este ano, para cobrir o aumento dos preços dos alimentos. O porta-voz do PAM adiantou à TSF que já foi lançado um apelo aos governos para darem um «passo em frente» para combater a crise alimentar mundial. [Ler aqui]

A ONU vai criar uma célula de crise para tentar evitar a escala dos preços dos alimentos. O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu também à comunidade internacional que pague os 755 milhões de dólares que o Programa Alimentar Mundial precisa para sobreviver à actual crise alimentar. [Ler aqui]

Os líderes do Japão e a UE manifestaram, esta quarta-feira, preocupação face à crise alimentar mundial e reclamaram acções urgentes para ajudar os países em vias de desenvolvimento. Para Hugo Chavez, a crise alimentar é um «verdadeiro massacre». [Ler aqui]

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Aumenta o preço dos cereais, aumenta a fome



O aumento dos preços dos cereais está a matar à fome os africanos.
Apesar da fome e do aumento dos preços dos cereais serem um problema global o continente africano é o mais afectado.

Uma das razões para este aumento dos preços é o crescimento da produção de biocombustíveis.

Os aumentos dos preços dos cereais são um problema cada vez mais sério e, devido a isso, o Programa Mundial de Alimentos comprou menos 40 por cento dos alimentos necessários, o que pode levar a ONU a retirar ajuda alimentar a 100 mil crianças.

Segundo o secretário-geral da FAO, «a ajuda alimentar continua a ser necessária, nomeadamente para regiões como o Darfur (Sudão) ou para países que sofrem conflitos armados e que não têm dinheiro para comprar alimentos».

Ler mais aqui e aqui.

Perante o receio de futuras restrições no abastecimento internacional de arroz e uma consequente subida dos preços, a sua venda foi racionada nos EUA - uma medida insólita.

Acho impressionante a falta de vontade política para acabar com o problema da fome no mundo!

quinta-feira, 3 de abril de 2008

Farturas... e Misérias

A alimentação para uma semana

Repare no tamanho da família e dieta de cada país, bem como a disponibilidade e a despesa com a alimentação de uma semana.

1 - Alemanha:
A família Melander de Bargteheide
Despesas com alimentação durante uma semana:
375,39 Euros ou $500.07




2 - Estados Unidos:
A família Revis de Carolina do Norte
Despesas com a alimentação durante uma semana:
$ 341




3 - Itália:
A família Manzo da Sicília
Despesas com a alimentação durante uma semana:
214,36 Euros ou R $ 260,11




4 - México:
A família Casales de Cuernavaca
Despesas com a limentação durante uma semana:
1862,78 Pesos Mexicanos ou US $ 189,09




5 - Polónia:
A família Sobczynscy de Konstancin-Jeziorna
Despesas com a alimentação durante uma semana:
582,48 ou Zlotys $ 151,27




6 - Egipto:
A família de Ahmed - Cairo
Despesas com a alimentação durante uma semana:
387,85 libras egípcias ou R $ 68,53




7 - Equador:
A família Ayme de Tingo
Despesas com a alimentação durante uma semana:
R $ 31,55




8 - Butão:
A família Namgay de Shingkhey Village
Despesas com a alimentação durante uma semana:
224,93 ngultrum ou $ 5,03




9 - Chade:
A família Aboubakar de Breidjing Camp
Despesas com a alimentação durante uma semana:
685 Francos CFA ou $ 1,23

Isto dá que pensar!

terça-feira, 18 de março de 2008

O Conceito de Pobreza

A definição do conceito de Pobreza é algo extremamente complexo.

Para definir este conceito, é necessário compreender que a pobreza pode ser entendida em vários sentidos. Esta definição não é algo consensual o que torna difícil apresentar uma definição concreta.

Pobreza não é, apenas, falta de dinheiro, ou miséria absoluta.
A pobreza é definida, geralmente, como a falta do que é necessário para satisfazer as necessidades básicas – alimentos, vestuário, habitação e cuidados de saúde. Mas esta é, mais do que isso, um fenómeno multi-dimensional que está inter-relacionado a múltiplos factores, em que existe a carência de bens e de serviços essenciais, mas também uma carência social, como a incapacidade de participar na sociedade – a falta de voz, de poder e independência – que sujeita as pessoas à exploração, e que as torna mais vulneráveis e expostas ao risco, tal sendo, a maioria das vezes, resultado da exclusão social.

A falta de recursos económicos é a forma de pobreza mais usual e pode ser considerada a base de todas as outras.
Para medir a carência de recursos económicos convém considerar os níveis de suficiência desses recursos e ter em conta aspectos relativos que ajudarão a perceber a gravidade e diversidade das pobrezas.
Assim, podemos ver a pobreza sob duas vertentes – a pobreza relativa e a pobreza absoluta.

O conceito de pobreza relativa é descrito como uma situação em que a pessoa, quando comparada com outras, sente a falta de algo que deseja e que não tem condições de obter, quer rendimento, quer condições favoráveis de emprego ou de poder, ou outras.

Do ponto de vista absoluto, a pobreza observa-se quando, da fixação de padrões para o nível mínimo ou suficiente de necessidades, conhecido como linha ou limite da pobreza, determinada parcela da população se encontra abaixo desse limite.
Esse padrão de vida mínimo, apresentado sob diferentes aspectos – nutricionais, de habitação ou de vestuário – é normalmente avaliado segundo preços relevantes, calculando o rendimento necessário para custeá-los.

Como tal, podemos ver a pobreza tendo em conta algum juízo de valor, em termos relativos ou absolutos. Trata-se de uma visão subjectiva, acerca do que deveria ser um grau suficiente de satisfação de necessidades, ou do que deveria ser um nível de privação normalmente suportável.

Numa outra perspectiva, a pobreza pode também ser vista no sentido de carência energética, falta de auto-estima e de energia para superar uma situação. A falta de força de vontade para mudar, e o aceitar da sua condição de pobreza como se tratando de algo que não pode ser mudado.

Eis como os mais pobres definem a pobreza:

“Pobreza é fome, é falta de abrigo. Pobreza é estar doente e não poder ir ao médico. Pobreza é não poder ir à escola e não saber ler. Pobreza é não ter emprego, é temer o futuro, é viver um dia de cada vez. Pobreza é perder o seu filho para uma doença trazida pela água não tratada. Pobreza é falta de poder, falta de representação e liberdade”.
(In:
RAE-eletrônica, Volume 1, Número 2, jul-dez/2002)

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Pobreza

Quem nunca
Encheu um frasco de champô de água para aproveitar tudo?
Quem nunca
Colocou um fósforo no óleo para saber quando estava quente?
Quem nunca
Tomou refrigerante em um copo de requeijão?

Pobreza, pobreza, pobreza
Pobreza, pobreza, pobreza
Pobreza, pobreza, pobreza
Pobreza, pobreza, pobreza

Quem nunca
Encheu de água a embalagem de molho de tomate pra aproveitar tudo?
Quem nunca
Colocou um pedaço de Brombril na antena pra imagem ficar melhor?
Quem nunca
Acendeu 4 bocas do fogão com o mesmo fósforo?

Pobreza, pobreza, pobreza
Pobreza, pobreza, pobreza
Pobreza, pobreza, pobreza
Pobreza, pobreza, pobreza

Quem nunca
Fechou a janela do carro no maior calor só pra pensarem que você tem ar-condicionado?
Quem nunca
Esfregou uma caneta nas mãos pra ela voltar a pegar?
Quem nunca
Tomou banho de bacia pra economizar água?

Pobreza, pobreza, pobreza
Pobreza, pobreza, pobreza
Pobreza, pobreza, pobreza
Pobreza, pobreza, pobreza

Quem nunca
Estendeu a roupa só com um grampo pra poder estender tudo?
Quem nunca
Secou roupa molhada no ferro?
Quem nunca
Jantou a luz de velas para economizar eletricidade?

Pobreza, pobreza, pobreza
Pobreza, pobreza, pobreza
Pobreza, pobreza, pobreza
Pobreza, pobreza, pobreza

Quem nunca
Estendeu um par de meias com um só grampo?
Quem nunca
Fechou um pacote de farinha com um grampo?
Quem nunca
Esperou até meia noite para entrar na internet?

Pobreza, pobreza, pobreza
Pobreza, pobreza, pobreza
Pobreza, pobreza, pobreza
Pobreza, pobreza, pobreza

(Zumbis, Pobreza - Composição: Underley)

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

O lugar dos pobres no Natal

Esta é uma altura do ano em que os pobres são mais lembrados. Pobres, que são cada vez mais em Portugal e no Mundo.

Vivemos num mundo profundamente injusto em que a pobreza e as desigualdades sociais crescem a olhos vistos, fruto da sociedade do lucro e do dinheiro em que vivemos.

O fosso entre ricos e pobres não pára de aumentar, estando a riqueza cada vez mais concentrada nas mãos de cada vez menos pessoas.

A cada dia que passa morrem 50.000 pessoas em todo o mundo, de pobreza extrema.

Para além dos pobres que facilmente identificamos como tal, encontramos hoje novos pobres. Aqueles que não ganham o suficiente para pagar as contas, que contraíram empréstimos que já não conseguem pagar, porque perderam o emprego ou porque o custo de vida está cada vez mais elevado.


Estamos a chegar ao Natal. O movimento das ruas aumentou. As lojas enchem-se de pessoas que entram, fazem as suas compras e sorriem, dando a ideia de que está tudo muito bem… quando não me parece que esteja.

Não me parece que esteja, porque muitas pessoas correm o risco de passar um Natal muito triste. Um Natal pobre e sem alegria, enquanto outros têm um Natal de luxo com mesas recheadas e prendas caríssimas.

E depois há os que não são ricos, mas que se comportam como se o fossem, como que envergonhados de o não serem, ou tentando aparentar o que já não são!

Muita gente anda a gastar o que tem e o que não tem para fazer boa figura.

O Natal passou a ser consumo, constrangimento, angústia, frustração.
De um lado o inútil e o supérfluo; do outro a fome, a miséria. Uns podres de ricos, outros a morrerem à fome.


É tempo de olharmos para dentro de nós.

Não podemos ficar indiferentes ou ignorar esta pobreza que parece irreversível e que se alastra a olhos vistos.

Há que falar e alertar para uma moral social.

É tempo de falar na fome em África, nos campos de refugiados em Darfur… na América Latina, nos países pobres do Oriente… mas também em muita gente pobre neste país. Uns porque não sabem gerir as suas vidas, outros porque ganham menos do que aquilo que necessitam.

E agora a nova pobreza que afecta principalmente a classe média. Os que possuem pequenos negócios ou que trabalham por conta de outrem, e se afogam em dívidas para manter sonhos e minimizar frustrações.

São estes que têm vindo a pagar a factura de sucessivas políticas erradas, e que por isso se vêem agora atolados numa pobreza para a qual não vislumbram saída, até serem encontradas alternativas políticas.

Encontramos hoje muita miséria disfarçada e envergonhada.


Lembramo-nos da pobreza na quadra natalícia...
mas ela existe todos os dias do ano!

Por tudo isto, qual será o lugar que têm os pobres neste Natal?

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