domingo, 22 de junho de 2008

"A seara é grande...

... mas os trabalhadores são poucos."


Muito bem diz o Lusitano em Notas Emprestadas que "não tenhamos dúvidas, não é verdade que há portugueses que nada têm, e a quem falta o pão, seja que tipo de pão for?

Então que cada um se pergunte o que pode fazer com o muito ou pouco que tem, quer em bem bens materiais, quer em capacidades e talentos, por esses que nada têm, e assim sendo, pelo nosso país, pela nossa sociedade, por Portugal, pelos Portugueses, não para ficarmos bem nas estatísticas internacionais, mas para nos sentirmos bem no nosso país uns com os outros.

É utópico ?
Talvez, mas é possível se todos quisermos.

Acabou o circo, é tempo de olharmos pelo pão."

E eu digo que o pior é sair do nosso comodismo instalado e pensar um pouco que seja nos outros. O mundo quer pão, está faminto, mas lá passar sem circo é que não! Quanto mais circo melhor. Quando acaba um pensa-se logo em começar outro. E quem tem pão, de qualquer espécie, com fartura, até sobejar... muitas das vezes o que é que faz? Calca-o a pés para que o esfomeado não coma dele umas migalhinhas que seja!

Já pensaram bem como precisamos de mudar mentalidades e atitudes?

Não devemos trabalhar só na mira do lucro, do poder, de ascensão pessoal e de visibilidade social. Devemos também dar de nós pelos que nada têm sem estar à espera de recompensa.

“Disponibilizar uma parte de nós para que o outro possa aproveitá-la como souber e puder, e ser mais com aquilo que lhe damos, é algo fantástico. Se calhar, é das motivações mais nobres da natureza humana. E a nossa vida só ganha sentido quando de facto nos abrimos ao outro e fazemos alguma coisa por ele”, resume Conceição Almeida, sublinhando que esta é também a forma de ultrapassarmos a nossa angústia de morte: “Deixar obra feita, que tanto pode ser um filho como algo que fizemos de bom por alguém.” In:Máxima

Há quem precise de mim, de ti, de nós!

Então por onde começar?

Um dos lados por onde se pode começar pode ser aderindo a uma Bolsa de Voluntariado.

Existem muitas ONGs e IPSSs que precisam de voluntários...
Banco Alimentar, Coração da Cidade e Amnistia Internacional são apenas três exemplos de uma luta sem fim à vista.

Mas há muitas mais... e se calhar bem perto de cada um de nós!

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Pobreza Relativa X Pobreza Absoluta


sábado, 7 de junho de 2008

Pobreza - Grupos de risco

Em Portugal, segundo o Relatório conjunto de 2008 sobre Protecção e Inclusão Social divulgado em Bruxelas, a população mais idosa (e especialmente do sexo feminino), as mulheres e as crianças são as mais atingidas pela pobreza.

● Os idosos com mais de 65 anos registam as taxas de pobreza relativa mais elevadas – 28 por cento.
É no grupo dos idosos que as pensões e subsídios mais contam. Sem eles, 82 por cento dos residentes com 65 ou mais anos estaria em risco de pobreza.
Os rendimentos de pensões de reforma e sobrevivência permitiram diminuir em 15 por cento os indivíduos em risco de pobreza.

● As crianças portuguesas têm o pior nível de desqualificação da EU – 68 por cento das crianças portuguesas vivem com os pais, com o ensino secundário incompleto.

“Não é um retrato abonatório para Portugal aquele que se encontra descrito num relatório da Comissão Europeia sobre pobreza infantil (…). Elaborado com base em dados de 2005 (que é ainda o ano limite para a maior parte dos estudos europeus), o relatório coloca Portugal não só entre os oito países da União Europeia com níveis mais elevados de pobreza entre as crianças, como o confirma entre aqueles com mais probabilidades de se manter nesta posição.
Em 2005, 24 por cento das crianças (contra 19 de média na UE) encontravam-se expostas, em Portugal, ao risco de pobreza (no ano anterior essa percentagem era de 23 por cento). Como a Roménia e a Bulgária não foram incluídas neste estudo, em situação pior do que Portugal figuravam apenas a Polónia (29 por cento) e a Lituânia (27). Seguiam-se-lhes, em situação de empate, Portugal, Espanha e Itália.” (Jornal Público, 25 de Fevereiro de 2008)

São as crianças que mais morrem à fome no mundo, de entre um número total de pessoas estimado entre 13 milhões e 18 milhões a cada ano.

● As pessoas que estão mais perto do limiar da pobreza em Portugal são, assim, os idosos que vivem sozinhos e as famílias constituídas por dois adultos com três ou mais filhos. Mas depois, há os desempregados de longa duração cujas dificuldades de reinserção no mercado de trabalho se devem, total ou parcialmente, a qualificações baixas ou à sua falta.

O desemprego aumentou contribuindo para agravar os problemas de cerca de 20% da população portuguesa, tal se ficando a dever, em muitos casos, à falência de empresas e termo de contratos.

● Para além destes e de outras categorias sociais desfavorecidas, conhecidas como tal – entre elas os deficientes, sem-abrigo, toxicodependentes – temos agora, também, uma miséria social que atinge os que trabalham. Em Portugal, cerca de 32% da população activa está em risco de pobreza. Há cerca de 100 mil famílias em situação de grande dificuldade financeira, ou seja, pessoas que enfrentam sérios problemas para pagar a prestação bancária relativa à compra de casa ou empréstimos contraídos para consumo. São os novos pobres, pessoas com emprego mas cujo salário não chega para as necessidades. A presidente da Federação dos Bancos Alimentares contra a Fome, garante que há hoje mais pessoas a pedir ajuda alimentar do que em anos anteriores. E sabe-se que entre os que pedem ajuda alimentar se encontram pessoas com cursos superiores.

Esta é a nova pobreza. Um fenómeno que se apresenta afectando principalmente a classe média que trabalha por conta de outrem ou que possui pequenos negócios. É neste meio que encontramos a pobreza envergonhada. Temos uma classe média a tender para o desaparecimento. Pode-se dizer que Portugal a está a matar, quando a sobrecarrega de impostos e quando se desqualificam os trabalhadores manuais e se sobrevalorizam os títulos académicos.

A pobreza combate-se pela valorização da pessoa humana. Este combate passa por termos uma classe média forte e esclarecida. Só privilegiando a classe média em detrimento da criação de elites se poderá chegar a algum lado. Porque só a classe média, as médias empresas… é que estão próximas das pessoas, tem sensibilidade e capacidade de resposta. E é a classe média que paga impostos…

No entanto, é esta classe média, que caminha a passos largos para a pobreza e que paga a factura de sucessivas políticas erráticas.

domingo, 1 de junho de 2008

Dia da criança... pobre

Por entre as cortinas de vergonha
Que te separam de outro mundo
Com teu rosto embaciado
E sorriso desbotado
Procuras o firmamento
Mesmo que em pensamento

És um actor
Em palcos de negra via
Com plateia que dormente presencia
O teu desempenho assustado
De gesto envergonhado
Sem que a vida te sorria

Criança pobre
Triste
Faminta
Mal amada
Maltratada
Menino de rua
Menina da favela...

Quem dera no mundo
Não mais houvesse
Nem fome
Nem guerras
Nem doenças
Ou sentenças
Que te tiram a alegria

Criança...
Do lado de lá
Ou de cá
Onde mora vento e lama
No reino da fantasia
Adormece em leda cama
Que hoje também é
Teu dia!

(M. Fa. R. - 01.06.08)

sexta-feira, 30 de maio de 2008

Eu grito ainda mais alto!!!

Cavaco Silva diz que o combate à pobreza e desigualdade social "não vai ser resolvido" a curto prazo.
(In: Notícias RTP e TSF)

Olhem só que novidade!!!

«Na quinta-feira, o primeiro-ministro, José Sócrates, admitiu que o ex-Presidente da República Mário Soares comentou equivocado com base num "embuste" o relatório sobre a pobreza em Portugal, desconhecendo que se tratava de um documento de 2004 e não actual.

"Julgo que o dr. Mário Soares foi também influenciado por aquilo que foi um dos maiores embustes lançados na sociedade portuguesa, julgando que o relatório lançado na semana passada [sobre pobreza] se referia a números actuais. Mas esse relatório era de 2004", declarou José Sócrates aos jornalistas.»

Eu pergundo: Alguém viu melhorias de 2004 até agora?
É que eu não! Pelo contrário... cada vez vejo tudo mais negro!

«O Chefe do Governo dise que também no combate às desigualdades houve uma melhoria, tendo Portugal "passado do índice de 6,9 em 2005 para 6,8 em 2006".»

Deixem-me rir!!!
Um riso amarelo.

«O Presidente da República disse ainda que o problema das desigualdades no rendimento não se resolve de um dia para o outro, porque são precisas políticas persistentes para a igualdade de oportunidades no domínio da Educação e de apoio àqueles que se encontram em situação de pobreza.»

Nem de um dia para o outro...
nem vontade de resolver...

(De que me vale gritar?)

Estes políticos são o máximo!!!...

quarta-feira, 28 de maio de 2008

GRITOS!!!... não apenas Ecos!












domingo, 25 de maio de 2008

Sei que não mudarei o mundo...

... mas tenho a esperança de poder mudar o mundo de alguém.

Tenho vindo a verificar que a pobreza se está a instalar no mundo, como um cancro social. Que a riqueza está em poder de uma minoria, cada vez mais rica, e que os pobres são cada vez em maior número e mais pobres. Que esta pobreza não será fácil de erradicar, por se tratar de um fenómeno à escala mundial e de múltiplas dimensões.

Acho que para se erradicar a pobreza teria de haver vontade Política, concreta e coordenada, por parte dos governos de todo o mundo, o que nunca será um assunto consensual e pacífico, numa sociedade caracterizada pela indiferença e pela fome de poder.

Noto que ainda falta percorrer muito caminho. Talvez, devido às novas tecnologias de informação e/ou porque as pessoas estão a sentir na pele este problema, só recentemente se começou a falar massivamente neste assunto.

Este flagelo não está a afectar só pessoas com pouca instrução, como numa primeira abordagem poderá parecer. Existem muitos licenciados, principalmente no nosso país, que se vêem a braços com este problema, devido à falta de emprego, a condições de precariedade, encargos contraídos que não têm meios para pagar…

Por outro lado, têm vindo a ser incutidos, nas pessoas, variados hábitos de consumo que as arrastam para situações, que considero anormais, mas que muitos ainda não as enxergaram como tal, nem o quanto estão a ficar reféns do poder dos mais ricos e escravos de certos vícios que os acabarão por levar, inevitavelmente, à pobreza e a doenças físicas e psicológicas, se não se conseguir travar este ciclo antes que seja tarde demais.

Portanto, a pobreza pode não acabar, mas podemos tentar minimizar este flagelo despertando consciências, deixando egoísmos de lado e pensando um pouco nos outros, contribuindo com a nossa parte, na medida das nossas possibilidades, quer em apoio monetário, quer ao nível de voluntariado em inúmeras ONGs e IPSSs, ou outras iniciativas conforme as qualificações e aptidões de cada um, porque só se pode dar do que se tem e, às vezes, dentro da nossa pobreza, temos muito que dar a quem ainda tem menos do que nós.

É neste sentido que, quantas vezes com prejuízo para a minha própria vida, dou o meu contributo na Direcção de uma IPSS, como membro de um GASC, na animação de um GJ...
Também, a nível individual e profissional, procuro estar disponível e aberta à pequena comunidade de que faço parte, a fim de responder, na medida do que me é possível, às solicitações que me surgem.

Mas gostaria de ir ainda mais longe... sempre fui uma pessoa muito inconformista!

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