domingo, 21 de junho de 2020

Carta aberta aos poderes políticos sobre a Pobreza em Portugal

"A pobreza tem há muito em Portugal uma dimensão que a todos deve preocupar e que justifica que os cidadãos unam a sua voz num protesto forte, premente e continuado, exigindo das autoridades do País que inscrevam o combate à pobreza como primeira prioridade. A pandemia do coronavírus acentuou aos olhos de todos a vulnerabilidade dos grupos mais desfavorecidos da sociedade portuguesa, reforçando, infelizmente, que a pobreza é, indubitavelmente, o principal problema do País. É essencial que as entidades sobre as quais recai a responsabilidade de enfrentar o problema não tenham dúvidas em defini-lo como tal - a prioridade das prioridades."

Para: Presidente da República, Presidente da Assembleia da República, Primeiro Ministro, Grupos Parlamentares

quinta-feira, 23 de abril de 2020

“Pandemia da fome”

As previsões do final do ano passado apontavam 2020 como o pior ano desde a Segunda Guerra Mundial.

"265 milhões de pessoas poderão estar em risco de morrer à fome. Poderão ser 30 os países em vias de desenvolvimento a passar por situações de fome generalizada. Em dez desses países, já há mais de um milhão de pessoas no limiar da morte: Iémen, República Democrática do Congo, Afeganistão, Venezuela, Etiópia, Sudão do Sul, Sudão, Síria, Nigéria e Haiti."
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Estamos a falar de condições extremas, de estado de emergência – pessoas literalmente a marchar para o limiar da morte à fome. Se não lhes conseguirmos comida, as pessoas vão morrer”.
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 “A Covid-19 é potencialmente catastrófica para milhões de pessoas que já estão presas por um fio”, acrescenta Arif Husain, economista chefe do Programa Alimentar Mundial. 
(...) 
“Nenhuma destas mortes previstas é inevitável”, diz Beasley. “Se conseguirmos dinheiro e se mantivermos as cadeias de distribuição abertas, podemos evitar a fome. Podemos parar isto, se agirmos já”, reforça.

quarta-feira, 22 de abril de 2020

Há fome!


«E de repente tive mais uma ideia do futuro social do nosso país. Ontem no acompanhamento que faço como voluntário na Comunidade Vida e Paz preparei-me para a noite lendo os relatórios das equipas dos dias anteriores, e vi que no Saldanha os números da distribuição de comida aproximavam-se dos 100, sendo que há dois meses atrás eram entre os 30 e 40. Na Av. Liberdade e adjacentes com mais de 30 pessoas, onde outrora eram menos de 20. 
 Enfim preparei-me para distribuir e acompanhar pouco mais de 140 pessoas. Mas infelizmente a realidade foi outra, foram mais de 160 e o futuro não se avizinha bom! 
 Sabemos que nos abrigos de Lisboa da CML os números diários já se aproximam de 200 pessoas, abrigos esses que fecham no momento que terminar o estado de emergência, e assim vão-se juntar aos mais de 500 pessoas que já vagueiam pela capital de Portugal.

Fome, vi muita, as pessoas choram a pensar que esta pode ser uma das ultimas refeições, pois com tantas incertezas têm medo que as instituições que apoiam as famílias carenciadas e pessoas sem abrigo não sejam um poço sem fundo e que um dia não vão chegar para todos, e, que podem ser preteridos por outra necessidade qualquer.
 Por mais que se tente acalmar as pessoas, a verdade é que nem eu sei o que vai ser o futuro, o meu, a da minha família e amigos, e de toda a nossa comunidade. 

 Há fome! 

 Desde o primeiro dia do estado de emergência que tenho notado isso, é uma nova realidade. 

 Volto a ontem, e ontem, vi pessoas que foram pela primeira vez dormir na rua, e outros que para lá voltaram, uns porque já não têm recursos, amigos ou famílias que apoiem, outros porque saindo das prisões não têm casas para onde ir. Sim pessoas que saíram das prisões sem tectos à sua espera, em alguns casos foi uma transferência de um problema de um lado para outro.
 Pessoas sem mobilidade, de andarilhos, novos, velhos, não há discriminação.
 Duas conversas que me deitaram o coração abaixo, sr X, seropositivo, na rua há vários anos, dizia: “COVID? Isso como doença não nos faz medo, estando na rua há vários anos eu e as outras pessoas que cá andamos se não morremos do frio, da chuva, do calor, das doenças dos companheiros de cartão, não vamos certamente morrer disto, O COVID vai nos matar porque vamos ser esquecidos e estamos no fundo das preocupações das pessoas. 

 Senti-me revoltado porque sei que é mentira, mas também é verdade!

 Outro dizia que queria ir para o abrigo, mas questionava, mas se lá há maior concentração de pessoas, não aumenta o risco de ser infectado?
 Estas pessoas podem não ter tecto mas têm a mesma sensibilidade ao risco e ao futuro que praticamente todos nós temos, ser Pessoa Sem Abrigo não é um atestado de estupidez ou de inércia, é infelizmente uma mistura de infelizes acasos da vida.

 Onde durante anos na Av. Liberdade, havia lagos com patos e cisnes, há agora pessoas a viver dentro das casas dessas aves, é difícil de imaginar, mas estão lá vários num espaço curto e desumano.

 Partilho ainda convosco que já de madrugada quando falava com as outras equipas, veio à partilha que dois menores depois de verem que havia terminado a distribuição na gare do oriente, foram ter com a equipa a pedir comida, pois em casa com os pais desempregados e os outros irmão menores já não havia comida e de uma forma discreta e envergonhada pediram se podiam comer. 

 A fome já não é só na rua, é também dentro das nossas casas. 

 Não quero com esta mensagem deixar as pessoas melindradas ou a sentirem-se mal, mas sim quero que todos saibam que há uma realidade e vamos ter que viver com ela e acima de tudo não podemos fechar os olhos, porque sim, há fome em Portugal!

 Equipa B2-3ª »

segunda-feira, 14 de outubro de 2019

Investigação para reduzir a pobreza mundial leva a Prémio Nobel da Economia


A Academia Sueca atribuiu o prémio Nobel da Economia a Abhijit Banerjee, Esther Duflo e Michael Kremer pela criação de métodos experimentais para avaliar a melhor forma de reduzir a pobreza.

«Segundo a Academia [Sueca], a abordagem desenvolvida por estes investigadores “identifica formas eficientes de reduzir a pobreza mundial”, ajudando a identificar as causas da pobreza, os efeitos das políticas em curso e facilita a análise custo-benefício das diferentes políticas para reduzir a pobreza.» 

Haja esperança!

segunda-feira, 17 de setembro de 2018

“os sistemas alimentares não estão fazendo seu trabalho”

« as famílias com menos recursos tendem a substituir alimentos nutritivos por outros mais baratos, mas de menor qualidade, algo que acontece nos países ricos e cada vez mais nos pobres.»
Fome e obesidade coexistem em cada vez mais países, afirma ONU.

sábado, 11 de agosto de 2018

"Desidealizar a Pobreza"

"Nada do que possa dizer é absoluto. Tudo o que posso ver com os meus olhos pequenos está longe de ser tudo, de ser toda a realidade. E, no entanto, há já as primeiras impressões que ainda não registei em foto ilustrativa por pudor.

Estou neste momento a viver junto a um dos bairros de lata de Nairóbi - Kangemi - e a colaborar numa clínica comunitária pertencente ao projecto Lea Toto. Estas clínicas fazem o diagnóstico de crianças portadoras de HIV e acompanham crianças e famílias de um modo integral procurando garantir o cumprimento do tratamento e o crescimento saudável dessas crianças.

Nos caminhos já feitos neste bairro vi a alegria dos mais novos ao saudar o muzungo (branco) que por lá passa, How are you? repetem todos os dias. Nesses mesmos caminhos já me perguntaram logo ao começar o dia e sem introduções se era feliz, já fui abraçado por um bêbado eufórico que entre o riso de vizinhos me queria levar à força a sua casa. Já vi, por isso, sinais de alegria. Já vi olhares de adolescentes com mais força e futuro de que o vírus que, sem culpa, carregam. Mas já vi e senti muita outra coisa...

Já vi olhares carregados, corpos frágeis e doentes, já me enlameei nas estradas de terra, e vi a dignidade de gente bem vestida mas nem por isso menos batida pela vida. Já senti os cheiros, e percebi às mágoas, a desconfiança e a desesperança. Ninguém escolheria viver aqui. E viver aqui - sem ser dos piores bairros de lata - é como - disseram-me - é viver para 30 a 40 % da população desta pais. Não voltarei a repetir a frase “vivem assim mas às tantas são mais felizes do que nós.” Não há felicidade na lama e no estômago vazio. Não há felicidade em viver ao lado de mansões que são como condomínios fechados, de lhes varrer os quartos e, depois, ao chegar a casa, ter que descalçar os sapatos para não encher de terra suja 3 ou 5m2.

O mundo não pode ser isto. A vida não é isto. A vida é a força dos que aqui lutam, trabalham e vivem. Mas essa força não pode ser a desculpa da pobreza, o fatalismo. Essa força é a resistência contra o que é indigno é a cura de tantos rostos cansados.

Estou aqui de passagem, quase sem tempo para encarnar. Mas sei que há muitas milhas a percorrer, onde quer que possa vir a estar. A primeira é não idealizar a pobreza." José Maria Brito SJ.

segunda-feira, 16 de abril de 2018

Da vontade... ou falta dela

"Nós temos tecnologia, temos os recursos, nós temos o conhecimento... para acabar com a pobreza extrema... se... se nós tivermos vontade."

 

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