terça-feira, 18 de março de 2008

O Conceito de Pobreza

A definição do conceito de Pobreza é algo extremamente complexo.

Para definir este conceito, é necessário compreender que a pobreza pode ser entendida em vários sentidos. Esta definição não é algo consensual o que torna difícil apresentar uma definição concreta.

Pobreza não é, apenas, falta de dinheiro, ou miséria absoluta.
A pobreza é definida, geralmente, como a falta do que é necessário para satisfazer as necessidades básicas – alimentos, vestuário, habitação e cuidados de saúde. Mas esta é, mais do que isso, um fenómeno multi-dimensional que está inter-relacionado a múltiplos factores, em que existe a carência de bens e de serviços essenciais, mas também uma carência social, como a incapacidade de participar na sociedade – a falta de voz, de poder e independência – que sujeita as pessoas à exploração, e que as torna mais vulneráveis e expostas ao risco, tal sendo, a maioria das vezes, resultado da exclusão social.

A falta de recursos económicos é a forma de pobreza mais usual e pode ser considerada a base de todas as outras.
Para medir a carência de recursos económicos convém considerar os níveis de suficiência desses recursos e ter em conta aspectos relativos que ajudarão a perceber a gravidade e diversidade das pobrezas.
Assim, podemos ver a pobreza sob duas vertentes – a pobreza relativa e a pobreza absoluta.

O conceito de pobreza relativa é descrito como uma situação em que a pessoa, quando comparada com outras, sente a falta de algo que deseja e que não tem condições de obter, quer rendimento, quer condições favoráveis de emprego ou de poder, ou outras.

Do ponto de vista absoluto, a pobreza observa-se quando, da fixação de padrões para o nível mínimo ou suficiente de necessidades, conhecido como linha ou limite da pobreza, determinada parcela da população se encontra abaixo desse limite.
Esse padrão de vida mínimo, apresentado sob diferentes aspectos – nutricionais, de habitação ou de vestuário – é normalmente avaliado segundo preços relevantes, calculando o rendimento necessário para custeá-los.

Como tal, podemos ver a pobreza tendo em conta algum juízo de valor, em termos relativos ou absolutos. Trata-se de uma visão subjectiva, acerca do que deveria ser um grau suficiente de satisfação de necessidades, ou do que deveria ser um nível de privação normalmente suportável.

Numa outra perspectiva, a pobreza pode também ser vista no sentido de carência energética, falta de auto-estima e de energia para superar uma situação. A falta de força de vontade para mudar, e o aceitar da sua condição de pobreza como se tratando de algo que não pode ser mudado.

Eis como os mais pobres definem a pobreza:

“Pobreza é fome, é falta de abrigo. Pobreza é estar doente e não poder ir ao médico. Pobreza é não poder ir à escola e não saber ler. Pobreza é não ter emprego, é temer o futuro, é viver um dia de cada vez. Pobreza é perder o seu filho para uma doença trazida pela água não tratada. Pobreza é falta de poder, falta de representação e liberdade”.
(In:
RAE-eletrônica, Volume 1, Número 2, jul-dez/2002)