sexta-feira, 1 de junho de 2012

1 de Junho - "UM" Dia da Criança?

DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS DAS CRIANÇAS
(escrita e aprovada pela ONU em 1959)

Direito à igualdade, sem distinção de raça religião ou nacionalidade.
Princípio I
- A criança desfrutará de todos os direitos enunciados nesta Declaração. Estes direitos serão outorgados a todas as crianças, sem qualquer excepção, distinção ou discriminação por motivos de raça, cor, sexo, idioma, religião, opiniões políticas ou de outra natureza, nacionalidade ou origem social, posição económica, nascimento ou outra condição, seja inerente à própria criança ou à sua família.

Direito a especial protecção para o seu desenvolvimento físico, mental e social.
Princípio II
- A criança gozará de protecção especial e disporá de oportunidade e serviços, a serem estabelecidos em lei por outros meios, de modo a que possa desenvolver-se física, mental, moral, espiritual e socialmente de forma saudável e normal, assim como em condições de liberdade e dignidade. Ao promulgar leis com este fim, a consideração fundamental a que se atenderá será o interesse superior da criança.

Direito a um nome e a uma nacionalidade.
Princípio III
- A criança tem direito, desde o seu nascimento, a um nome e a uma nacionalidade.

Direito à alimentação, moradia e assistência médica adequadas para a criança e a mãe.
Princípio IV
- A criança deve gozar dos benefícios da previdência social. Terá direito a crescer e a desenvolver-se em boa saúde; para essa finalidade deverão ser proporcionados, tanto a ela, como à sua mãe, cuidados especiais, incluindo-se a alimentação pré e pós-natal. A criança terá direito a desfrutar de alimentação, moradia, lazer e serviços médicos adequados.

Direito à educação e a cuidados especiais para a criança física ou mentalmente deficiente.
Princípio V
- A criança física ou mentalmente deficiente ou aquela que sofre da algum impedimento social deve receber o tratamento, a educação e os cuidados especiais que requeira o seu caso particular.

Direito ao amor e à compreensão por parte dos pais e da sociedade.
Princípio VI
- A criança necessita de amor e compreensão, para o desenvolvimento pleno e harmonioso de sua personalidade; sempre que possível, deverá crescer com o amparo e sob a responsabilidade dos seus pais, mas, em qualquer caso, num ambiente de afecto e segurança moral e material; salvo circunstâncias excepcionais, não se deverá separar a criança de tenra idade da sua mãe. A sociedade e as autoridades públicas terão a obrigação de cuidar especialmente do menor abandonado ou daqueles que careçam de meios adequados de subsistência. Convém que se concedam subsídios governamentais, ou de outra espécie, para a manutenção dos filhos de famílias numerosas.

Direito à educação gratuita e ao lazer infantil.
Princípio VII
- A criança tem direito a receber educação escolar, a qual será gratuita e obrigatória, ao menos nas etapas elementares. Dar-se-á à criança uma educação que favoreça a sua cultura geral e lhe permita - em condições de igualdade de oportunidades - desenvolver as suas aptidões e a sua individualidade, o seu senso de responsabilidade social e moral, chegando a ser um membro útil à sociedade.
O interesse superior da criança deverá ser o interesse director daqueles que têm a responsabilidade pela sua educação e orientação; tal responsabilidade incumbe, em primeira instância, aos seus pais.
A criança deve desfrutar plenamente de jogos e brincadeiras os quais deverão estar dirigidos para educação; a sociedade e as autoridades públicas esforçar-se-ão para promover o exercício deste direito.

Direito a ser socorrido em primeiro lugar, em caso de catástrofes.
Princípio VIII
- A criança deve - em todas as circunstâncias - figurar entre os primeiros a receber protecção e auxílio.

Direito a ser protegido contra o abandono e a exploração no trabalho.
Princípio IX
- A criança deve ser protegida contra toda a forma de abandono, crueldade e exploração. Não será objecto de nenhum tipo de tráfico.
Não se deverá permitir que a criança trabalhe antes de uma idade mínima adequada; em caso algum será permitido que a criança se dedique, ou a ela se imponha, qualquer ocupação ou emprego que possa prejudicar a sua saúde ou a sua educação, ou impedir o seu desenvolvimento físico, mental ou moral.

Direito a crescer dentro de um espírito de solidariedade, compreensão, amizade e justiça entre os povos.
Princípio X
- A criança deve ser protegida contra as práticas que possam fomentar a discriminação racial, religiosa, ou de qualquer outra índole. Deve ser educada dentro de um espírito de compreensão, tolerância, amizade entre os povos, paz e fraternidade universais e com plena consciência de que deve consagrar as suas energias e aptidões ao serviço de seus semelhantes.
(sublinhados meus)


A Convenção sobre os Direitos da Criança 

E tanto ainda por fazer!

Como é que os direitos das crianças são aplicados num país onde há pobreza infantil?

Em Portugal, as crianças são das mais carenciadas da OCDE - sobressai num relatório “Medir a Pobreza Infantil”: Mais de 27% das crianças portuguesas vivem em situação de carência económica.

Assim vamos em Portugal. E "já longe de ser cor-de-rosa, o cenário promete piorar".

Onde é que se dá relevância ao superior interesse da criança

Terão as crianças alguma culpa de erros que adultos cometeram e continuam a cometer?

4 Comments:

MaFaR said...

Triplicou em Portugal o número de pessoas e famílias carenciadas:

http://www.rtp.pt/noticias/index.php?article=560049&tm=6&layout=121&visual=49

alf said...

Eu resumo isto à questão da igualdade de oportunidades. A raiz do problema é que quem está mais acima na escala social quer conservar essa "vantagem". A desigualdade em Portugal acontece de propósito - basta ver que as pessoas não se indignam com os 40% de abandono escolar, que reflecte que 40% das crianças vivem em más condições, mas indignam-se logo com as medidas para corrigir essa situação.

Penso que Igualdade de Oportunidades é a ideia forte que pode resolver isto; mas uma ideia que tem de ser imposta.

MaFaR said...

Claro que sim, igualdade de oportunidades. Onde a Equidade esteja sempre presente.

MaFaR said...

«A estrutura económica básica que temos hoje não contribui para acabar com a pobreza. Foi essa estrutura que criou a pobreza, e ela não pode solucioná-la. Eu enfatizo sempre que a pobreza não é criada pelo pobre; ela não é culpa da pessoa. É culpa do sistema.»
Muhammad Yunus, prémio Nobel da paz, na conferência Rio+20, alerta sobre o falhanço da luta contra a pobreza.