quarta-feira, 23 de julho de 2008

Tudo é para todos...

Estou convicta de que tudo existe no mundo em quantidade mais do que suficiente para todos.

Então porque será que uns têm tanto e outros tão pouco?

Será devido à sorte ou falta dela? Será porque uns nascem em berço de oiro e outros nem berço têm? Será porque uns se contentam com pouco e outros são insaciáveis? Será porque uns fazem pela vida e outros estão à espera de que caia tudo do céu? Será porque uns trabalham para terem o que querem e outros preguiçam? Será...

"Pois ao que tem dar-se-lhe-á, e terá em abundância, mas ao que não tem, até o que tem lhe será tirado." (Mt. 13,12)

Todos têm os mesmos direitos.

Mas haverá quem pense que só tem direitos!

Ora, cada um um tem o dever de trabalhar para adquirir aquilo de que precisa, sem estar à espera de que sejam os outros a dar-lhe as coisas.

"Quem trabalha e mata a fome não come o pão de ninguém; quem não ganha o pão que come, come sempre o pão de alguém!" (António Aleixo)

E há, também, quem seja deixado morrer à fome, depois de uma vida de trabalho, por negligência... ou nem sei porquê!

Há coisas que me tiram do sério!

14 Comments:

zedeportugal said...

A incompatibilidade entre negros e ciganos é por demais conhecida das autoridades e dos organismos de apoio social que promovem o alojamento de famílias nestes bairros sociais. Mas, estou em crêr que o que se passou na quinta da fonte não foi uma luta entre etnias, mas sim uma guerra entre grupos criminosos. Tudo aquilo é suspeito, a começar pela filmagem. Não sei se aquilo foi provocado (até isso é possível) mas sei que está a ser muito bem explorado pelas autoridades para pôr a opinião pública contra (1) os moradores dos bairros sociais e (2) contra os ciganos. Das famílias ciganas que andam a ser perseguidas (é o termo) pelas autoridades policiais, poucas serão as que têm elementos directamente envolvidos nos grupos de criminosos em guerra. Mas o governo conseguiui uma vez mais o que queria: manipular a opinião pública, pôr os portugueses contra este ou aquele grupo da sociedade (como tem vindo a fazer durante toda a legislatura), e não assumir as suas tremendas responsabilidades. O que aconteceu ali deveu-se fundamentalmente à negligência prolongada das polícias, que permitiram o acumular de todas aquelas tensões e todas aquelas armas. Tudo isto não passa de uma extraordinária engenharia propagandística em cima de uma enorme negligência das competências das autoridades na manutenção da ordem pública.
Tinha prometido a mim mesmo não me pronunciar sobre este assunto - até porque estou de férias - mas parece que não tenho outro remédio senão postar a análise dos factos que ninguém parece saber fazer. Pensava que em Portugal ainda havia gente suficientemente inteligente na comunicação social para desmontar esta mistificação.. Plelos vistos enganei-me, uma vez mais.
Está a ser construída, mesmo à nossa vista, uma sociedade cada vez mais injusta, mais egoísta que explora os egoísmos e as invejas e todos os baixos sentimentos dos portugueses. E são estes baixos sentimentos e este exemplo que vem de cima que fazem com que se deixe morrer os verdadeiros pobres, os fracos, os velhos e os doentes.

Maf_ram said...

Zedeportugal,

coloquei o link para esses casos particulares, mas não com a intenção de ficar focada apenas neles.

Há muita gente com necessidades mais do que reais e verdadeiras, sem meios próprios e concretos de reverter a sua situação, e de que ninguém faz caso...
e outros que querem que lhe dêem tudo de bandeja sem nada fazerem pela sociedade (e por si próprios)!

Obrigada pelo seu comentário. Gostei particularmente das suas últimas frases.

quinttarantino said...

Uma análise concisa e precisa.

Tentar reduzir tudo à explicação conspirativa que um dos incidentes teria resultado de uma acção premeditada do Governo para atirar um grupo social contra uma certa etnia parece-me ser demasiado perigoso e até fantasista.

Mas é uma opinião e há que a respeitar.
Mesmo que o incidente resulte da acção conjugada de grupos criminosos ou de criminosos que disputam territórios e lucros, nada justifica, na minha óptica a exigência de realojamento noutro local sob ameaça de manifestações.

Também não entendo porque é que em face de certos comportamentos nós temos de baixar as orelhas e haja quem possa levantar a voz.
No caso, e porque estamos a lidar com ciganos e pretos (pode-se dizer pretos, não pode?) tem de se gerir tudo com milhentas cautelas sob pena de sermos apodados de racistas; mas ao contrário já não é nem racismo nem oportunismo.

Obviamente que no oceano da injustiça global estes casos particulares são gotículas. Mas são sintomáticos.

Paralelamente, e numa perspectiva mais global, tenho para mim que o modelo social em que assentamos é profundamente injusto e tende a agravar assimetrias com a vertigem que agora se tem pelo lucro fácil.
Fico sempre inquieto com o que poderá suceder face ao cenário que vivemos ... e note-se que ele não é um exclusivo nacional.
Vamos revoltarmo-nos ou iremos calar?
E havendo revolta será mera substituição de actores políticos por outros ou será ruptura absoluta com todo e qualquer modelo?
E em que moldes e a que preço?

Maf_ram said...

Acho tudo muito complicado, Quint, muito complicado...

Para mim, uma pessoa simples e pacata, há coisas que me metem muita confusão.

Há quem, para fazer valer os seus pretensos direitos não olhe a quaisquer meios. E as pessoas humildes calam-se a tudo porque não têm por onde reagir...
E como é que se deve pôr cobro a estas situações?
Só sei que há muita injustiça...

Obrigada pelo teu contributo.

Ana Martins said...

MAF_RAM,
tem toda a razão quando diz que há muita injustiça, e pelo rumo que as coisas levam, haverá muito mais num futuro muito próximo.
Vivemos tempos dificeis, em que por vezes até se tem vontade de ajudar, mas não se pode, porque as dificuldades aumentam de dia para dia.
Os nossos governantes, esses não têm dificuldades, passeiam cada vez mais, têm casas luxuosas, carros topo de gama, etc...
E o incrivel é que fazem tudo a bem da nação!!!
Quanto às pessoas humildes, que só querem trabalhar para levar a "vida direita", nelas ninguém repara, porque não se fazem ouvir, não são malcriadas, arrogantes, prepotentes... enfim haveria muito mais a dizer mas hoje fico por aqui.
Beijinhos

Maf_ram said...

Ana,
Pois é! Coitados dos que não têm voz!...
E quem pode, pode!

Beijinhos

victor simoes said...

Na verdade uns têm tudo outros nada têm, a análise torna-se um pouco complicada e não é fácil a resposta!São vários os factores que contribuem para a pobreza e muitas vezes conjugados e entreligados entre si.
Começam pelas desigualdades no berço, à nascença, o ponto de partida é fulcral,a família e passando pela escola e meio ambiente e culminando com a descriminação.
A injustiça é enorme, a distribuição da riqueza cada vez pior, fruto desta sociedade de consumo e mercantilista de políticas neo-liberais. Não sei para onde caminhamos, mas sei que não estamos no bom caminho.

Em relação aos comentários que precedem o meu, mesmo fora do contexto do post, gostaria também de aqui deixar a minha modesta opinião!

Relativamente aos acontecimentos a principal actuação do Governo deveria ser deter todos os envolvidos nos confrontos e levá-los a julgamento por crime de uso de armas e desacatos. Em relação ao rendimento mínimo eu tratava fácilmente do assunto, todos estes titulares, teriam que fazer trabalho social, caso se negassem ser-lhes-ia retirado! Todos os portugueses, têm de trabalhar para ganharem o seu sustento. Porque será que o Governo tem de sustentar bandos de criminosos? Agora já andam a ameaçar as assistentes sociais de morte, com receio que lhes seja cortado os tais rendimentos minimos.
Estes senhores ciganos, e outros quaisqueres, só têm mesmo é que trabalharem e procurarem conviver pacíficamente com outras culturas e grupos étnicos. Têm de aprender a respeitar o próximo, para serem também respeitados.
Chego a um hospital, e não medeixam entrar como acompanhante do doente, aos ciganos vejo-os aos magotes lá dentro? Porque intimidam até os médicos e enfermeiros e mesmo os polícias.
Respeitem se querem ser respeitados.
Felizmente conheço muitas excepções à regra e conheço ciganos sem problemas nehums de reintegração social.

Maf_ram said...

Victor,
"esta sociedade de consumo e mercantilista" tem vindo a acentuar a pobreza e a estragar a vida de muito boa gente apanhada desprevenida e com a esperança de melhorar a sua situação. Ao invés de sentirem melhoras só se têm afundado perante a passividade, para não dizer a má fé, de quem nos (des)governa...
E depois há os "espertos" que se aproveitam de leis mal explicitas para viverem à custa dos "pategos"...

Como é que assim podemos ter um mundo que é de todos?!se uns continuam a "ser os filhos e outros apenas enteados" eu diria até bastardos ou rejeitados...

Obrigada pelo seu contributo sob a forma de comentário. Tive muito gosto em lê-lo. Volte, por favor!

Manuel Rocha said...

Pertinente !

Mas confesso algumas reservas quanto à permissa introdutória. Não sei se há o suficiente para todos. Aliás, ainda que hoje seja assim tenho dúvidas ainda maiores de que possa continuar a ser assim de uma forma duradoura. A relação entre população e recursos não pode ser infinitamente resolvida pelo lado dos recursos. Haverá um momento qualquer em que também terá que ser resolvida pelo lado da população, mas essa é um discussão delicada que se evita como o diabo evita a cruz.

Quanto ao resto, é evidente que há quem pensa que só tem direitos. Não sei mesmo se não será a maioria.E isso tb me tira do sério.

zedeportugal said...

Cara amiga,
Volto aqui, fora do tema do seu post (ou talvez não?) para pedir a sua atenção sobre o assunto do meu último escrito (nesta data) lá pelo meu sítio:
http://umjardimnodeserto.nireblog.com/post/2008/08/01/deixa-me-vivermama-let-me-live-mommy

Não sei o que pensa sobre o assunto, mas se concorda com a petição talvez possa dar uma mãozinha na sua divulgação.

Maf_ram said...

Manuel,
Perante pesquisas que efectuei e opiniões que fui observando, continuo na minha de que o que existe é uma enorme má distribuição dos bens existentes no mundo. Aquilo que para uns existe de sobejo, a estragar, daria muito bem para os outros a quem falta.
O que não existe em quantidade suficiente, o que falta no mundo, e isso falta mesmo!!! é generosidade, amor, espírito de sacrifício e de abnegação, capacidade de entrega, de dar de si e daquilo que se tem, não só as sobras mas daquilo que nos é caro, que nos pertence.
Deveríamos pensar que se porventura temos algo em excesso, a alguém está a fazer falta...
Aí o mundo se tornaria melhor.
Não creio que as coisas se resolvam pelo lado do controle da população (vejam-se, por exemplo, os crimes praticados na China com esse objectivo). Na minha opinião está tudo mal distribuído e muitos dos que têm poderes para mudar o mundo só atrofiam ainda mais os mais pequenos em favor dos já grandes. Se as pessoas deixassem os egoísmos e as manias de grandeza tudo melhoraria!
Cada um que repare bem em si e naquilo que tem a ver se não passaria muito bem sem pelo menos metade daquilo que tem de supérfluo.



Zedeportugal,
concordo. Sou pela vida, sempre! Já coloquei o selo a divulgar...
Mas, sinceramente, tenho as minhas reservas quanto aos resultados...

Ana Martins said...

Querida amiga,
deixo aqui um dos meus poemas, em tom de comentário.

A LÁGRIMA DA POBREZA

A lágrima que grita a dor
Desata as cordas, a mordaça
De uma vida sem cor
Em trejeitos de devassa.

A lágrima que solta a voz
É revolta, não é quimera
Dos sonhos que aos nós
São ilusões de outra era.

A lágrima que nos lábios morre
Além de pura e cristalina
Não sacia sede nem fome
De quem procura uma vida digna.

A lágrima da Pobreza
Não lava a alma nem o coração
Não promove nem embeleza
Os politicos da Nação!

Escrito a 3 de Agosto de 2008
Ana Martins

Beijinhos

Maf_ram said...

E muito diz o teu poema, Ana!
Assim essa lágrima pudesse trespassar a alma de quem a não conhece... e que por isso não a enxuga!

erick sávio said...

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