sábado, 16 de outubro de 2010

Onde está o Pão?

Dia 16 de Outubro:

Dia Mundial da Alimentação
(este ano dedicado à fome e ao direito à alimentação)

17 de Outubro:
Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza

E...
Onde está o Pão?


Sem pão e sem amor
Sem sequer uma côdea com bolor
Que lhe caia na mão
Aos tropeções por essa vida
Sem esgar na noite entorpecida
À espera de aquecer o coração
Anda perdida qual mendigo
Muita gente em nosso mundo
Matando o ar em campo nu de trigo
Que já foi seu e que ardeu

Quem lhe roubou o seu pedaço de pão
Quem lhe sacou o coração e o pisou
Fingindo bem-fazer
Dizia que era dia e fez a noite
E continua airosamente a sussurrar
Que o pão dos outros é ateu
Que só quem o tem o mereceu
E que o dia de mais pão há-de chegar

Mas eu grito enquanto a voz não me doer
Enquanto a noite escura estiver
Enquanto eu vir ainda um pouco mais além:
Anda muito ladrão por aí com cara de gente-bem.

In: EscreVIvendo

5 Comments:

Lídia Craveiro said...

Com esta conjuntura económica depressa não haverá o que comer!
Cumprimentos
Lídia

avlisjota said...

É verdade nem "sequer uma côdea com bolor" mas não podemos baixar os braços, temos que continuar a gritar, gritar bem alto, a agir, a desmascarar o podre desta sociedade que não faz consciência do mal que faz aos outros e a si mesma...

Gosto muito deste poema!

José

A.M. said...

O pão esta nos bolsos dos "Senhores" que nos tiram e deixam apenas as migalhas. Nós é que arcamos com todas as suas más decisões...até quando?

FPWorld said...

http://fp-world.blogspot.com/

visitem e comentem e sobre a fome e a pobreza mundial

Ana Teresa said...

A nossa alma não evoluiu com a tecnologia, porque se tivesse evoluído já não teríamos guerras, nem pobreza e não seríamos tão egoístas.

"Primeiro levaram os negros,
mas não me importei com isso,
eu não era negro.
Em seguida levaram alguns operários,
mas não me importei com isso,
eu também não era operário.
Depois prenderam os miseráveis,
mas não me importei com isso,
porque eu não sou miserável.
depois agarraram uns desempregados,
mas como tenho o meu emprego,
também não me importei.
Agora estão a levar-me,
mas já é tarde,
porque ninguém também se importa comigo."

Bertold Bretch (1898-1956)

"O incrível, é que após tantos anos, com tanta tecnologia que se conquistou, ainda nos encontremos tão desamparados, inertes e submetidos aos caprichos da ruína moral dos poderes governantes, que vampirizam o erário, aniquilam instituições e deixam aos cidadãos os ossos roídos e o direito ao silêncio: porque a palavra, há muito se tornou inútil.
Até quando???"