quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Riqueza vs Pobreza

A pobreza é fruto das enormes desigualdades sociais, que colocam a riqueza do mundo nas mãos de, apenas, 20% da população mundial.

É uma dor de alma constatar que 80% da população do mundo é pobre ou muito pobre pelo facto de haver uma minoria de muito ricos.

A riqueza em si não é má. Pelo contrário, ela é um bem a que todos têm direito, e que produz sensação de conforto, bem-estar e segurança, tão necessários a uma realização material que todas as pessoas anseiam (salvo, talvez, raras excepções).

Mas a riqueza é escandalosa quando torna o mundo pobre.
É por demais escandaloso o momento actual que o mundo vive, inundado de tanta miséria.

Todo o mundo é pobre e está a empobrecer cada vez mais.
Toda a população é pobre. Uma grande parte materialmente, outra de valores.

Acho que os ricos são muito pobres de valores, quando são os causadores da pobreza material do mundo, quando fortunas são construídas à custa de vencimentos fabulosos, reformas astronómicas, corrupção, exploração do homem pelo homem...

Não me venham cá com coisas!
Toda a riqueza nas mãos de uma minoria não tem nada de honesto!

Só quando os ricos tiverem a honestidade de ser menos ricos é que os pobres poderão começar a ser menos pobres!


«Há pessoas tão pobres, mas tão pobres, que só têm dinheiro!»

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Sentir o frio

"Era um inverno, tão frio, tão frio, que os pobres sofriam ainda mais do que o habitual.

O rabino escolheu um dos dias mais gélidos para procurar o único judeu rico do povoado, homem famoso pela sua avareza. Bateu à porta, e foi o próprio que veio abrir. Era, seguramente, o único indivíduo da aldeia a não vestir mais do que uma camisa dentro de casa, tal era a qualidade do aquecimento no seu interior.
- Faz favor de entrar, rabi, está quentinho cá dentro.
- Não, não, não vale a pena, não demoro mais do que um minuto.

E o rabino encetou uma longa conversação com o homem, perguntando-lhe novidades de cada membro da família. O homem batia os dentes, porta sempre aberta, insistindo incessantemente com o rabino para que entrasse, mas este recusava sistematicamente.
- E o primo do seu cunhado, que foi para a cidade, como é que ele está? – continuava o rabino…
O homem estava roxo de frio.

- Finalmente, rabi, qual é o motivo da sua visita? – acabou por perguntar.
- Vim com o intuito de lhe pedir dinheiro para comprar carvão para os pobres da aldeia.
- Pois bem, então vamos entrar, falamos melhor sobre isso no quentinho…
- É que se eu entro, sentamo-nos à lareira, ficamos aquecidos, e quando eu lhe explicar que os pobres têm frio, o senhor não irá compreender. Vai-me dar cinco rublos, quando muito dez. Mas, assim, cá fora, sentindo-se um pouquinho de frio, estou certo de que o senhor vai compreender melhor…

O homem ofereceu cem rublos ao rabino, ficando feliz, quanto mais não fosse pelo facto de poder fechar a porta e voltar a sentar-se junto à lareira."
(Marc-Alain Ouaknin e Dory Rotnemer, in A Bíblia do Humor Judaico, I)

Apetece-me apenas comentar, do que este conto me sugere, e também a propósito do dia de hoje - Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza - que:
pode-se relembrar esta problemática num dia por ano especialmente dedicado a isso;
pode-se pensar muito em ajudar os pobres na quadra do Natal, que não tarda aí;
podem-se até fazer muitas campanhas de auxílio à pobreza ao longo do ano…
mas é muito confortável estar no quentinho!

Se não te aproximares, se não sentires o frio na pele, como é que podes compreender a realidade do pobre?

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

No mínimo... um olhar atento à pobreza

* Em cada 100 euros que o patrão paga pela minha força de trabalho, o Estado, e muito bem,tira-me 20 euros para o IRS e 11 euros para a Segurança Social.
* O meu patrão, por cada 100 euros que paga pela minha força de trabalho, é obrigado a dar ao Estado, e muito bem,mais 23,75 euros para a Segurança Social.
* E por cada 100 euros de riqueza que eu produzo, o Estado, e muito bem, retira ao meu patrão outros 33 euros.
* Cada vez que eu, no supermercado, gasto os 100 euros que o meu patrão pagou, o Estado, e muito bem, fica com 21 euros para si.

Em resumo:
Quando ganho 100 euros, o Estado fica quase com 55;
Quando gasto 100 euros, o Estado, no mínimo, cobra 21;
Quando lucro 100 euros, o Estado enriquece 33;
Quando compro um carro, uma casa, herdo um quadro,registo os meus negócios ou peço uma certidão, o Estado, e muito bem, fica com quase metade das verbas envolvidas no caso.

Eu pago, e acho muito bem, portanto exijo:
- Um sistema de ensino que garanta cultura, civismo e futuro Emprego para os meus filhos;
- Serviços de saúde exemplares;
- Um hospital bem equipado a menos de 20 km da minha casa;
- Estradas largas, sem buracos e bem sinalizadas em todo o país;
- Auto-estradas sem portagens;
- Pontes que não caiam;
- Tribunais com capacidade para decidir processos em menos de um ano;
- Uma máquina fiscal que cobre igualitariamente os impostos.

Eu pago, e por isso quero ter, quando lá chegar, a reforma garantida;
Jardins públicos e espaços verdes bem tratados e seguros;
Polícia eficiente e equipada;
Os monumentos do meu País bem conservados e abertos ao público, uma orquestra sinfónica;
Filmes criados em Portugal.

E, no mínimo,
que não haja um único caso de fome e miséria nesta terra.

(Recebido por e-mail. Desconheço o autor)

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Nada a fazer?!

«Não posso dar-te absolutamente nada.
Trabalho até de noite pelas mães abandonadas, pelos que não têm casa, pelas crianças abandonadas e doentes. Eu também estou doente e não posso mais. Não me queres tu ajudar? Antes de te matares, não queres dar tu uma mão a toda esta gente que espera?»
Diz Abbé Pierre a um jovem que, acabado de sair da prisão, ameaçava suicidar-se pelo desespero de não ter nada. Nem família, nem amigos que lhe dessem a mão. A sua vida não significava nada.

Por vezes pensa-se que se estendeu a mão ao indigente e ele não a quis agarrar, quando se lhe arranjou maneiras de o internar para recuperação do álcool ou da droga, conseguiu-se-lhe um trabalho, fez-se-lhe uma casa, deu-se voltas para lhe obter o Rendimento social de inserção, e ele prefere continuar a pedir esmola e a viver na rua, ou no mundo da droga. E dizemos que é pobre de espírito, que não tem juízo, que tem vícios que já não consegue corrigir, que não há nada a fazer, não vale a pena. E se calhar não é bem assim em todos os casos.

Talvez tenha ouvido tanta vez: “não vales nada, és um drogado, um bêbado, nunca conseguirás ser alguém”, que se terá convencido de que assim é, e que não vale a pena esforçar-se, pois nunca conseguirá mudar nada. Sempre terá quem lhe dê uma esmola, um prato de sopa…
Além disso, quanto mais tempo durar essa vida mais se acomoda a ela e perde o interesse por mudá-la. Deixa de ter a auto-estima necessária à mudança e bastam-lhe as esmolas de qualquer espécie. E nós queremos que ele mude?! Que ele trabalhe?! Para quê, se não tem necessidade disso?! Se não presta para nada, se não tem utilidade nenhuma?!

Primeiro tem que haver uma mudança interior. E quem quer dar uma mão a esta pessoa, tem que ir nesse sentido da mudança interior. De lhe fazer ganhar a consciência da sua necessidade.

Tem que se deixar de ver o pobre como o culpado da sua pobreza. Até porque quem nunca foi pobre nunca terá condições de ajuizar o que isso é.

Ah!
E aquele jovem que se queria matar, afinal não se matou. Deu conta de que ainda podia ser útil a alguém!

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Reflexos de pobrezas

Portugal, de norte a sul, tem vindo a ser vítima, nos últimos tempos, de uma onda de assaltos e criminalidade como nunca antes.

São assaltos a bancos, a gasolineiras... ele é a caixas multibanco, é carjacking... tanto pode ser a uma prateleira ou caixa de supermercado, como à carteira do pequeno e do médio contribuinte, ou aos cofres do Estado.

Há para todos os gostos e feitios.

São grupos, são solitários... são portugueses, são brasileiros, são de outras nacionalidades.

E mata-se por "dá cá aquela palha".

Quem gosta de filmes policiais pode agora deliciar-se com as imagens reais e até em directo.

E discute-se o tema, debate-se, fala-se e fala-se...

e continua tudo na mesma, ou cada vez pior!


Não serão tudo reflexos de pobrezas?!

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

1 Jo. 3, 17

«Aquele que tiver bens deste mundo
e vir o seu irmão sofrer necessidade,
mas lhe fechar o seu coração,
como estará nele o amor de Deus?»

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Tudo é para todos...

Estou convicta de que tudo existe no mundo em quantidade mais do que suficiente para todos.

Então porque será que uns têm tanto e outros tão pouco?

Será devido à sorte ou falta dela? Será porque uns nascem em berço de oiro e outros nem berço têm? Será porque uns se contentam com pouco e outros são insaciáveis? Será porque uns fazem pela vida e outros estão à espera de que caia tudo do céu? Será porque uns trabalham para terem o que querem e outros preguiçam? Será...

"Pois ao que tem dar-se-lhe-á, e terá em abundância, mas ao que não tem, até o que tem lhe será tirado." (Mt. 13,12)

Todos têm os mesmos direitos.

Mas haverá quem pense que só tem direitos!

Ora, cada um um tem o dever de trabalhar para adquirir aquilo de que precisa, sem estar à espera de que sejam os outros a dar-lhe as coisas.

"Quem trabalha e mata a fome não come o pão de ninguém; quem não ganha o pão que come, come sempre o pão de alguém!" (António Aleixo)

E há, também, quem seja deixado morrer à fome, depois de uma vida de trabalho, por negligência... ou nem sei porquê!

Há coisas que me tiram do sério!

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